PATRÍCIA é jornalista e assina POETA. Eu sou ANGELA, Pedagoga e assino RAMALHO (o que não deixa de ter também a sua poesia). Fico pensando como seria divino assinar "Poeta" depois do nome. Até fiz uma poesia sobre isso! Esse blog é um espaço onde brinco com as palavras, fazendo aquilo que gosto. E o que eu gosto mesmo é de fazer poesias! Portanto, embora não seja PATRÍCIA, eu sou POETA!

sábado, 3 de outubro de 2015

DISCURSO OFICIAL – VII CONGRESSO BRASILEIRO DE POETAS

Para quem não conhece o trabalho do Portal do Poeta Brasileiro, recomendo a leitura do texto de minha autoria, lido hoje em Jales (SP) na Sessão Solene de Posse de novos Acadêmicos da ANLPPB. 

Caros poetas, senhoras e senhores!

A história da poesia brasileira começa no Século XVI, o primeiro século da colonização, com a chegada dos padres da Companhia de Jesus ou, mais precisamente com José de Anchieta que, segundo a tradição, escreveu com seu bastão 4072 versos à Virgem nas areias da Praia de Iperoig, atual praia de Ubatuba, no litoral paulista.

Ao longo dos séculos a poesia brasileira passou por várias escolas, até chegar ao final do Século XX, com o chamado Pós-modernismo. Historicamente grupos de poetas influenciaram a poesia brasileira, ligados a este ou aquele movimento. Assim, tivemos os destaques do Quinhentismo, do Barroco, do Arcadismo, as três gerações do Romantismo, os líderes do Parnasianismo, do Simbolismo, as três gerações do Modernismo, os articuladores da Poesia Concreta e os poetas que agitaram o Pós-modernismo. 

Os períodos que relatam a passagem da poesia em relação ao tempo indicam entre outras coisas, que ela resiste em meio a tantos “rótulos”. Que fase poética sucederá o pós-modernismo? Como os analistas literários a definirão? Essa marcação cronológica importa para a poesia? Historicamente sim, uma vez que a história marca tudo e todos pela passagem do tempo. 

Mas a poesia independe de rótulos. Que nome se dê a ela em determinado período não importa. Importa saber o impacto que a poesia causa nas pessoas. Importa saber que as crianças nas escolas leiam e aprendam mais sobre poesia. Importa saber que a poesia sobrevive independente de como será lida ou classificada pela história.

Ouso afirmar que ainda veremos formas muito mais inusitadas, inventivas e diversificadas de se escrever poesia. Penso que os historiadores terão muito trabalho para definir e classificar o período atual, da explosão da internet e o uso de blogs, fanpages e o próprio perfil no facebook como instrumentos de difusão da literatura e consequentemente da poesia. Essa época que eu chamaria de “poesia cibernética” merece um capítulo à parte nesse rol de movimentos pelos quais passou e passa a poesia brasileira.

Poetas isolados multiplicam-se a cada clique do mouse. Impossível contar quantos, quem são e onde estão. Mas para difundir a poesia, precisamos de ações coletivas. Penso que daqui a alguns anos os analistas literários se deterão para registrar historicamente um contingente coletivo de poetas organizados num portal: o Portal do Poeta Brasileiro. 

Um grupo diferente de poetas que une poesia e ação. Onde a poesia se faz concreta, abrangente. Um grupo de poetas que exibe um mapa do Brasil com sua logomarca estampada em cada estado. Esse grupo nascido em 2010, cujo objetivo principal é a proliferação da arte poética, como fonte perene de cultura e exteriorização do eu lírico em suas mais diversas vertentes, em cinco anos já fez por onde entrar para a história. 

Além de realizar em 2010 dois encontros nacionais de poetas, um na Bienal de São Paulo e outro em Salto (SP), o grupo realizou até o momento, sete Congressos Poéticos Nacionais: dezembro de 2012 - Salto (SP); julho de 2013 - Londrina (PR); novembro de 2013 - Maceió (AL); abril de 2014 - Campinas (SP); outubro de 2014 - Rio de Janeiro (RJ); abril de 2015 – Campinas (SP) e outubro de 2015 - Jales (SP). 

Para favorecer o contato presencial de seus membros e realizar ações concretas pela disseminação da poesia este grupo fundou em 2012 a Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro, que hoje conta com 104 acadêmicos. 

Organizados numa diretoria nacional instituída em 2011 e visando garantir sua condição de unicidade num país de vasta extensão territorial, o grupo organizou núcleos de poetas, que atuam como representantes do Portal na maioria dos estados brasileiros. 

Para que a poesia ganhasse espaço e visibilidade foi preciso investir na comunicação. Pensando nisso, o grupo criou e mantém em atividade a Web Rádio Iluminatta, onde diuturnamente divulgam poesia e música popular brasileira, possibilitando - via web - a interação de poetas do mundo todo. 

O elemento livro não poderia faltar em toda essa história. Fazia-se necessária a criação de uma editora que atendesse pequenas e grandes demandas na edição de livros e que oferecesse aos escritores e poetas esse serviço. Assim nasceu a Editora Iluminatta, responsável também pela edição das coletâneas do Portal, em número de aproximadamente 20 edições até o momento. 

Era preciso desconstruir a imagem dos saraus antigos, cheios de silêncio e tédio. Os poetas e artistas precisavam ter vez e voz e em função disso, proporcionou-se nos saraus mensais realizados pelo Portal do Poeta Brasileiro em Campinas, espaço e microfone para toda e qualquer manifestação artística. 

Em abril de 2013, esse grupo de poetas antecipando-se aos movimentos sociais que pediam (e levaram) o povo às ruas e numa atitude inédita lançaram a Coletânea Manifesto Poético pela Paz, uma espécie de protesto poético entregue em Brasília, no Senado Federal. Neste ato poesia e poetas uniram-se cobrando atitudes de nossos políticos. 

Mas além de cobrar, o Portal continuou agindo. Encampou ações sociais, unindo poesia e solidariedade. 

Assim, a poesia solidária do Portal do Poeta Brasileiro em 2014 e 2015 contribuiu com a Campanha do Agasalho do Governo do Estado de São Paulo, participando do Dance e Aqueça, evento que dá início a este importante trabalho social. 

Nesse mesmo ano, subimos o Morro Dona Marta (Rio de Janeiro, 2014), onde distribuímos livros e favorecemos o contato das crianças com os escritores e poetas. 

A poesia foi instrumento para montagem de cestas básicas (Natal do Bem, 2014); 

E o Portal escolheu maio, o mês das mães, para abraçar as Mães da Sé e levar-lhes além de versos, apoio. (As Mães da Sé com carinho, 2015). 

Como forma de difusão da poesia fazendo-a chegar ao povo, o Portal do Poeta Brasileiro, de forma criativa e inédita lançou em 2015 o “Grande Livro” também chamado “Livro de Rua” instalado inicialmente em Campinas, posteriormente em Tatuí e agora instalamos mais duas unidades na cidade de Jales (SP). 

Projetos de incentivo à leitura tanto de iniciativa do Portal, quanto de seus membros foram implantados ao longo desses cinco anos. Através deles, o Portal distribui livros, divulga a poesia, incentiva a leitura. Os números surpreendem: são 13 projetos do Portal e 27 de seus acadêmicos, totalizando 40 projetos de amplitude e alcance cultural e social. 

Por consolidar ações de reconhecido valor cultural, o Portal do Poeta Brasileiro em setembro de 2014 foi reconhecido como Patrimônio Imaterial pela UNESCO. 

Ser Portal do Poeta Brasileiro não é para qualquer um. A poesia exige ação e comprometimento. Não nos incomodamos quando afirmam que em nossos quadros existem muitos poetas amadores, mesmo porque, “amadores” ao pé da letra significa “todos àqueles que amam” e temos certeza de que aqui, todos amam a poesia! 

Carregar uma rosa dourada no peito não nos faz melhores nem piores que ninguém. Mas essa rosa dourada significa que somos de luta, somos vibrantes, somos agentes culturais, cada qual em seu espaço, fomentando ações de incentivo à cultura, semeando livros, atuando em grupos e/ou instituições literárias, Conselhos de Cultura, participando e/ou promovendo em nossos municípios ações concretas de liderança para que a poesia e a cultura cheguem a todos. 

Em Jales não será diferente. Estamos aqui para o abraço fraterno, para o reencontro de amigos, mas prioritariamente viemos para realizar ações concretas pela disseminação da poesia. Hoje, em Sessão Solene, juntam-se a nós os acadêmicos André Gandolfo, Anna Osta, João Gomes de Sá, João Nery Pestana, Nilsa Alves de Melo e Zé da Barca. Há muito trabalho a ser feito e precisamos de “poetas loucos” que encarem desafios. Precisamos de mãos que se juntem às nossas para a labuta poética e nesse momento solene, faço minhas as palavras de Aline Romariz: 

Nossas mãos constroem livros, servem poesia, contam histórias e se estendem como quem acaricia... 

Ajudar a construir tudo isso é o remédio que me faz viva, é esta lágrima furtiva que molha meu rosto agora. 
É orgulho! É o choro bom da alegria! É gratidão... 
Obrigada meu Deus, por me permitir sentir esta emoção! 
Obrigada aos poetas loucos que dividem comigo essa trajetória e, fiquem certos, nada disso seria possível se não fossem os seus sorrisos e as mãos que junto comigo ajudam a contar esta singela história. 

Sejam todos muito bem-vindos!
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