PATRÍCIA é jornalista e assina POETA. Eu sou ANGELA, Pedagoga e assino RAMALHO (o que não deixa de ter também a sua poesia). Fico pensando como seria divino assinar "Poeta" depois do nome. Até fiz uma poesia sobre isso! Esse blog é um espaço onde brinco com as palavras, fazendo aquilo que gosto. E o que eu gosto mesmo é de fazer poesias! Portanto, embora não seja PATRÍCIA, eu sou POETA!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

CHICÓ SOMOS TODOS NÓS!

Chicó e João Grilo, personagens da obra O Auto da Compadecida


Perguntem a qualquer brasileiro quem é Chicó, (personagem vivido por Selton Mello) e a resposta será sempre a obra de referencia de Ariano Suassuna "O auto da Compadecida", exibida na TV e no cinema. Mais do que ninguém, Ariano Suassuna conhecia o nordeste brasileiro e sabia criar com perfeição personagens como Chicó. "O Brasil ficou mais pobre", disse Selton Mello sobre a morte de Suassuna. 

Ariano se foi, mas seus passarinhos continuarão "piando" por aí, morando em algum ninho, encantando com seu canto aos corações sensíveis. 

"Chicó fui eu, Chicó é Ariano, Chicó é tu. Chicó e João Grilo têm morada no coração dos brasileiros", escreveu João Grilo, interpretado por Matheus Nachtergaele. 

Vale a pena ler na íntegra o texto de Selton Mello: 

E o Brasil ficou mais pobre. E triste. Ariano, poeta entendedor do Brasil profundo. Defensor de nossa riqueza cultural e emocional. Sua obra descomunal fica para sempre. Tive a honraria graúda de dar vida a um de seus passarinhos (era como se referia a seus personagens queridos). Chicó fui eu, Chicó é Ariano, Chicó é tu. Chicó e João Grilo têm morada no coração dos brasileiros. E na minha mente e coração sempre estarão gravadas as palavras sublimes que proferi em "O Auto da Compadecida": "Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados". Celebre-se o homem, celebre-se o brasileiro, celebre-se o artesão das palavras. E se um dia perguntarem se tudo que criou foi exatamente assim como ele idealizou, imaginarei Ariano dizendo com um sorriso de menino nos lábios: "Não sei, só sei que foi assim. 

Vai, Ariano. Agora tu também é passarinho!


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