PATRÍCIA é jornalista e assina POETA. Eu sou ANGELA, Pedagoga e assino RAMALHO (o que não deixa de ter também a sua poesia). Fico pensando como seria divino assinar "Poeta" depois do nome. Até fiz uma poesia sobre isso! Esse blog é um espaço onde brinco com as palavras, fazendo aquilo que gosto. E o que eu gosto mesmo é de fazer poesias! Portanto, embora não seja PATRÍCIA, eu sou POETA!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

VAIAS, FAIR PLAY E HIPOCRISIA


VAIAS, FAIR PLAY E HIPOCRISIA
Angela Ramalho

O presidente da FIFA, Joseph Blatter disse na abertura da Copa das Confederações, que os brasileiros presentes ao estádio Mané Garrincha (uma das obras superfaturadas desse governo, diga-se de passagem) não tem “fair play”. Referia-se às vaias sofridas pela Presidente Dilma Rousseff ao “tentar” dar o “pontapé” inicial de tão importante torneio esportivo. Não contava “nossa” ilustre representante que ela mesma seria a “vítima” desse pontapé inicial. Bastante constrangida, Dilma foi vaiada três vezes. Tal qual o resultado do jogo, o povo devolveu 3 x 0 para Dilma. 

O evento transcorria dentro da normalidade, o povo aplaudia a tudo, desde a saudação aos voluntários até quando foi tocado o hino do Japão. Mas quando a presidente foi anunciada oficialmente para abrir a competição, levou a primeira vaia! Joseph Blatter em um gesto cavalheiresco, dispôs-se a defender a “grande dama” da república brasileira e se deu mal. Cá prá nós, cobrar “fair play” de brasileiro só mesmo sendo coisa de americano! 

Eu não tenho vergonha de dizer que vivi quase 60 anos sem saber o que é ter “fair play”. Confesso que nunca dei muita bola para a língua inglesa. Gosto mesmo é do nosso velho e bom português. Mas fiquei curiosa e fui pesquisar. Como acredito que conhecimento é coisa para ser dividida, vejam o que descobri: 

Fair Play significa jogo justo, em português, e significa jogar limpo, ter espírito esportivo. O conceito de fair play está vinculado à ética no meio esportivo, onde os praticantes devem procurar jogar de maneira que não prejudiquem o adversário de forma proposital. Os praticantes de todas as modalidades esportivas devem procurar se empenhar e disputar os jogos cumprindo as regras, sob pena de serem desclassificados, porém atualmente o emprego dessa expressão é empregada em praticamente todos os segmentos da sociedade moderna, e toma o significado de trabalhar ou apresentar conduta de acordo com padrões éticos, sociais e morais. Fair play tem uma correlação com espírito esportivo, muito pela influência do marketing e da mídia pressionando os atletas por melhores resultados, fazendo com que eles pensem na vitória a qualquer preço, muitas vezes utilizando meios ilícitos, como o doping, a manipulação genética, processos de naturalização, entre outros, quebrando assim, os princípios do jogo limpo”.

Ora, sendo assim, a frase de Blatter foi perfeita, só que infelizmente ele errou o alvo! Ali, naquele momento, a presidente Dilma representava um governo totalmente desprovido de “fair play”. Um governo que não jogou limpo com o povo, que não “apresentou conduta de acordo com padrões éticos, sociais e morais” desejáveis. Blatter cobrou do povo brasileiro algo que o governo, naquele ato representado por Dilma Rousseff, deveria ter dado como exemplo. Mas – convenhamos - cada um dá aquilo que tem!

O distinto cavalheiro poderia ter ficado quieto e levou, junto com Dilma, a segunda vaia. Se estivesse lá eu diria: Vá cobrar “fair play” na terra do Tio Sam, Joseph Blatter ! Aqui temos (ainda) liberdade para soltar a nossa indignação (com ou sem fair play).

A terceira vaia aconteceu na fala de Dilma que concisamente, demonstrando nervosismo e contrariedade, limitou-se a dar por iniciado o certame, evitando maiores constrangimentos. E desse momento em diante a polêmica foi instalada. 

Nas redes sociais posicionaram-se os contra e a favor das vaias. Posicionamentos os mais diversos e contraditórios. Há quem diga que “não se pode vaiar um Chefe de Estado que foi colocado lá pelo próprio povo”. Pois sim! Então o povo, só porque votou errado (e nisso ele não tem culpa, porque não teve educação, muito menos cultura), deve ficar quieto quando o governo - o qual pensava que fosse sério - comete barbaridades contra o próprio povo que o elegeu?

“Aprenda a votar e não precisará dar vexame em um grande evento esportivo mundial”. Meu Deus, quanta hipocrisia! Então o brasileiro que não aprendeu a votar (existe alguma cartilha para ensinar isso?) deve calar o seu grito de indignação para evitar “dar vexame” internacionalmente? Quem estaria dando vexame maior? O governo corrupto e inescrupuloso ou o povo sendo “mal educado”? 

Até onde se deve jogar a sujeira para baixo do tapete para (supostamente) ficarmos bem no cenário internacional? A sujeira está aí, meus caros, no próprio estádio Mané Garrincha, o mais caro da Copa, superfaturado em 10,7 milhões, com compras acima do valor de mercado, pagamentos de direitos trabalhistas além do previsto e aluguéis desnecessários, segundo auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal. Tudo isso numa única obra. Eu pergunto: E as demais? Onde fica a honestidade, a ética, a moral ou melhor dizendo o “fair play” do governo petista? 

Respeito o direito de quem pensa diferente, mas tentar calar a voz do povo “censurando” uma vaia (uma não: três!) e tirando dessa manifestação coletiva o que ela teve de mais extraordinário e surpreendente que foi a espontaneidade para mim é pedir demais!

É impossível “censurar” uma vaia no meio da multidão e ela reflete nada mais nada menos que o pensamento de todos naquele momento, independente do posicionamento político de cada um. Censurar uma vaia para mim é uma atitude antidemocrática. A quem está criticando eu pergunto: Quantos direitos nós temos (legalmente) e que não são respeitados? Querer tirar do povo o direito de se manifestar é para mim, o pior tipo de censura. Afinal de contas (ainda) vivemos num país democrático.

A atitude dos policiais paulistas coagindo os manifestantes de forma violenta é censura. Calar o povo numa manifestação coletiva é censura. Muitos autores desse tipo de comentários no Facebook não usam fardas. Mas os comparo igualmente aos policiais desumanos! 









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