PATRÍCIA é jornalista e assina POETA. Eu sou ANGELA, Pedagoga e assino RAMALHO (o que não deixa de ter também a sua poesia). Fico pensando como seria divino assinar "Poeta" depois do nome. Até fiz uma poesia sobre isso! Esse blog é um espaço onde brinco com as palavras, fazendo aquilo que gosto. E o que eu gosto mesmo é de fazer poesias! Portanto, embora não seja PATRÍCIA, eu sou POETA!

sábado, 21 de dezembro de 2013

OS DEZ LIVROS MAIS VENDIDOS DE 2013


Edir Macedo, (que eu me recuso a chamar de bispo), lidera a lista dos dez livros mais vendidos no Brasil em 2013. Não contente em ocupar a quinta colocação com o seu “Nada a perder” (e em matéria de dinheiro e poder, ele não perde nada mesmo), ainda ocupa a dianteira com o “Nada a Perder 2” que recebeu o sugestivo subtítulo de “Meus desafios diante do impossível”.

Ora, como se fosse algo assim tão impossível fazer uma lavagem cerebral em massa, aproveitando-se da boa fé alheia, amealhando uma fortuna em dízimos conseguidos à custa de vender vagas no céu. A maior prova de que isso não é desafio e muito menos impossível está aí: o livro na primeira colocação. Mas a mim não venham dizer que é milagre. É enganação mesmo!

Padre Marcelo Rossi aparece em segundo lugar com Kairós. Mérito dele, que faz como todo mundo (ou quase todo mundo): Coloca o seu produto à venda e compra quem quer. Tudo bem que é um padre conhecido pelo seu trabalho de evangelização e isso ajuda, mas é só.

Para contrabalançar tanta auto-ajuda (e o povo demonstra que anda precisando disso), em terceiro lugar aparece Dan Brown com o seu “Inferno”. Lançado em maio no Brasil pela Editora Arqueiro, o livro faz a linha aventura + suspense + mistério e pelo jeito deu certo. Não querendo criticar mas já criticando, sou de opinião que o autor é adepto do “tudojuntoemisturado”, pois o livro mistura arte, literatura, filosofia, arquitetura, ciência e medicina. O enredo contem ainda muitas referencias históricas, o que vale dizer que para entender “Inferno”, se o leitor não tiver uma razoável bagagem cultural (principalmente da arte e cultura européia), terá que realizar pesquisas extras. Dá trabalho ler, mas acrescenta em bagagem cultural. 

Em quarto lugar encontramos John Green com “A Culpa é das estrelas”. Lindo, maravilhoso, emocionante, comovente são os adjetivos que me ocorrem no momento para descrevê-lo. Merecia ocupar melhor colocação, se brasileiro não fosse o povo que é.

Eu já disse que odeio cinza e não me conformo em ver a 6ª, 7ª e 8ª colocações. Vou me abster de comentar. Passarei batido sobre as cinzas de  E. L. James.

O Silêncio das Montanhas, de Khaled Hossein, aparece em 9º lugar. Li a crítica da Revista "O Grito" e concordo que o livro apela para o melodrama. A trama é fraquinha e nada convincente. O exagerado apelo ao sentimentalismo tenta fisgar a emoção do leitor a qualquer custo. O nono lugar é classificação infinitamente superior ao que o livro merece. Sendo importado, brasileiro compra qualquer coisa.

As gordinhas e gordinhos desse país colocaram em 10º lugar a dieta da moda. “Eu não consigo emagrecer” do médico Pierre Dukan promete livrar os leitores dos pneuzinhos indesejáveis, como se isso fosse algo assim tão simples. Eu mesma corri à internet para pesquisar sobre o livro, devorei cada página e não achei convincente. Optei por consultar uma nutricionista, seguir um cardápio de baixas calorias, realizar diariamente caminhadas e exercícios físicos e mandei embora dez quilos. Até março do ano que vem, mando embora outros dez, sem precisar de livro algum. Meu recado ao Dr. Dukan é o seguinte: Eu consigo emagrecer,sim! E digo mais: Qualquer um consegue, se tiver disciplina e força de vontade! 

Resumindo: O povo brasileiro lê pouco e quando lê, escolhe mal. Adquirem livros de auto-ajuda que só ajudam a engordar a conta bancária (já nas alturas) do autor (e sabe-se lá que métodos ele utiliza para fazê-los comprar!). Escolhem autores estrangeiros na tentativa de fazer bonito e mostrar que tem cultura, mesmo que o livro não seja bom. Adoram as cores cinzentas, talvez por falta de massa encefálica, que por coincidência também é cinza. Não conseguem fugir da já manjada fórmula: aventura + suspense + mistério, porque é o que vende e eles precisam mostrar que estão por dentro das coisas.
Assim como procuram literatura fútil e fácil, querem também um livro que os ensine a emagrecer sem fazer sacrifícios, garantindo a liberdade de encher a pança de picanha e cerveja no final de semana. Pensando assim, qualquer livro serve!




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