PATRÍCIA é jornalista e assina POETA. Eu sou ANGELA, Pedagoga e assino RAMALHO (o que não deixa de ter também a sua poesia). Fico pensando como seria divino assinar "Poeta" depois do nome. Até fiz uma poesia sobre isso! Esse blog é um espaço onde brinco com as palavras, fazendo aquilo que gosto. E o que eu gosto mesmo é de fazer poesias! Portanto, embora não seja PATRÍCIA, eu sou POETA!

sábado, 12 de outubro de 2013

A CRIANÇA QUE EU NÃO FUI!




"A criança que eu não fui” relata o sentimento de alguém que não pode viver sua infância no momento certo, vindo a vivê-la tardiamente, de outras formas. 

Esse poema ficou “engasgado” em minha garganta por muito tempo. Tentei dar-lhe vida, mas não encontrava as palavras certas. Não queria que ficasse um lamento (desses que a gente lê e chora), nem que fosse alvo de dó ou piedade. Mas ontem eu o fiz de forma direta, sem rascunho e sem muito pestanejar. Saiu! Foi mais um parto e acredito que bem sucedido.

Explicando sucintamente: na infância fui acometida por uma doença, que eu acredito seja a que conhecemos hoje por “fogo selvagem”. Naquela época não havia recursos, nem hospital especializado, nada! Eu tinha feridas pelo corpo todo, com exceção das plantas dos pés e das palmas das mãos. Tive que raspar a cabeça, porque as feridas pioravam a medida que eu me coçava. Meus irmãos e minha mãe se revezavam dia e noite para segurarem minhas mãos e pés, evitando que eu me coçasse ou me debatesse.

Tudo foi tentado do ponto de vista da medicina, sem nenhum resultado. Fui desenganada pelos médicos e graças à fé que minha mãe tinha (e tem!) em Nossa Senhora Aparecida, apresentei melhoras em três dias e me curei em menos de 15 dias! 

A Santa apareceu para minha mãe em sonho (ou uma visão, ela não sabe explicar direito) e pediu para que ela fizesse uma promessa. A promessa consistia em levar uma cabeça minha (simbolicamente) em Aparecida do Norte. A promessa foi feita e a cura veio em seguida, como por milagre.

Lembro-me dos momentos de maior dor, quando minha mãe me dava banhos de imersão com ervas que a crendice popular conferia serem “tiro e queda” para aquele mal. Lembro-me da dor e do cheiro inconfundível e forte daquelas ervas, que me queimavam por dentro e por fora. 

Não tive fotografias da minha infância. A foto que tenho mais nova é uma dessas tiradas na escola, com nove anos de idade.

Quanto ao “Papai do Céu” ter me mandado para cá com “esse roteiro e esse itinerário”, fiz referência ao Salmo 138:16 “cada dia de minha vida foi prefixado, desde antes que um só deles existisse”.

Vivi tardiamente as minhas fases, mas vivi. Ainda hoje me dou ao direito de fazer algumas criancices. Porque não?

Resta explicar alguns papéis a que me impus, nesse grande teatro que é a vida: 

Coadjuvante, porque fui a última gestação de minha mãe (o oitavo parto) e porque nasci mulher. Na visão machista de meu pai (própria dos homens daquela época), os atores principais desse enredo eram os filhos homens. 

Estreante, porque estava vindo ao mundo “por último”, com um papel desconhecido, sem conhecer o elenco e ainda por cima, sendo recebida de forma preconceituosa. 

Hoje, narrando essa história, percebo que vim a esse mundo com o melhor papel. E ainda contando com a “minha santinha” no elenco! Sem chance de dar erro! Entre ter infância ou ter vida, fiquei com a vida!

Devo aqui (e por toda a vida), alguns agradecimentos: 

Aos meus irmãos mais velhos, que ajudaram minha mãe a me cuidar; 

Aos meus pais, por tudo o que fizeram buscando a minha cura; 

A minha avó Ana (que não conheci em vida), mas que educou minha mãe na fé cristã; 

A minha mãe (biológica), pela sua fé e dedicação e por tantas coisas que aqui não caberia dizer;

E finalmente à minha mãe (espiritual) da qual já me tornei íntima e chamo-a carinhosamente de "Cidinha" (Nossa Senhora Aparecida) por interceder por mim junto ao Pai!

A criança que eu não fui, eu fui sim, mesmo que tardiamente. E acredito que ainda sou, pois que cometo, vez por outra, alguma peraltice.

P.S.
Em Aparecida, na Sala dos Milagres, encontra-se a cabeça, levada por mim e minha mãe,com uma placa de prata, atestando a cura. Prometi então dar testemunho dessa graça, enquanto viver!

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