PATRÍCIA é jornalista e assina POETA. Eu sou ANGELA, Pedagoga e assino RAMALHO (o que não deixa de ter também a sua poesia). Fico pensando como seria divino assinar "Poeta" depois do nome. Até fiz uma poesia sobre isso! Esse blog é um espaço onde brinco com as palavras, fazendo aquilo que gosto. E o que eu gosto mesmo é de fazer poesias! Portanto, embora não seja PATRÍCIA, eu sou POETA!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

DOM JAIME: "IN OMNIBUS CHRISTUS"

Dom Jaime desembarcando em Maringá em março de 1957

DOM JAIME: "IN OMNIBUS CHRISTUS" 

                                   Angela Ramalho 

Dom Jaime fez por Maringá mais do que muitos políticos. Foi uma das principais personalidades da cidade. Inteligentíssimo, perspicaz, de uma visão extraordinária de mundo. Suas homilias eram verdadeiras aulas de história, filosofia, sociologia. Dava conta de suas responsabilidades como bispo e arcebispo, mas seu olhar ia mais além. Influenciou decisivamente no progresso da cidade, atuando não apenas na sua área (religiosa) mas sendo determinante em outras áreas essenciais para o desenvolvimento do Município. 

Primeiro bispo e primeiro arcebispo de Maringá, ele nasceu em Franca (SP). Fez o Seminário Menor em Campinas, cursou depois Filosofia e Teologia em São Paulo no Seminário Central do Ipiranga. Ordenou-se na Catedral de Ribeirão Preto e em 03 de dezembro de 1956, aos 40 anos, foi designado bispo da recém criada diocese de Maringá (PR). Sua ordenação episcopal ocorreu em 20 de janeiro de 1957 na Catedral de Ribeirão Preto. Dois meses depois, Dom Jaime assumiu na cidade de Maringá seu novo cargo, sendo empossado no dia 24 de março de 1957. 

Quando chegou em Maringá, aqui não havia nada. Era mata e pó. Eu diria que Dom Jaime foi o primeiro assistente social da cidade, dando inicio as obras de caridade: Albergue Noturno, Lar dos Velhinhos, Núcleo Social Papa João XXIII e tantas outras instituições sociais tiveram a sua implantação através dele. 

Além disso, Dom Jaime teve participação fundamental em uma série de acontecimentos importantes para o engrandecimento da cidade, tais como: a construção da Livraria Católica, depois entregue às religiosas da Pia Sociedade Filhas de São Paulo (Irmãs Paulinas); a transformação do Albergue Noturno, sob direção das Filhas da Caridade, em Albergue Santa Luíza de Marillac; a criação do jornal diário Folha do Norte do Paraná; a implantação da TV católica 3º Milênio, fundada pelo padre Gerhard Schneider; a obra de desfavelamento do Núcleo Social Papa João XXIII e a consolidação da Santa Casa de Misericórdia de Maringá, entregue aos cuidados da Congregação dos Irmãos da Misericórdia de Maria Auxiliadora.  

No entanto, sua mais importante contribuição para a cidade de Maringá deu-se quando fundou e dirigiu a Faculdade Estadual de Ciências Econômicas, onde foi ministrado o primeiro curso superior, que foi o embrião para a criação da atual Universidade (UEM – Universidade Estadual de Maringá). 

Uma velha catedral de madeira era o que tínhamos. Ali, eu e meus irmãos assistimos muitas missas, recebemos o sacramento da crisma e lembro-me das palestras de Padre Almeida, direcionada aos jovens. Não perdíamos uma! 

Visionário, determinado e com visão de modernidade, anos depois cismou que a nova catedral deveria ter a forma do foguete Sputnick e assim foi. Hoje ela é nosso mais lindo cartão postal! 

Há quem diga que ele foi o maior político que Maringá já teve. Um artigo seu na extinta Folha do Norte do Paraná derrubava qualquer candidato ou fazia subir nas pesquisas aquele que estava nas ultimas posições. Mas nunca (que eu saiba) ele disse claramente “vote neste” ou “vote naquele”. Sabiamente, ele fazia suas ponderações sobre o que era bom para a cidade e o que não era, fazendo suas as palavras de Cristo: “Quem tem ouvidos para entender, que entenda”. 

"In Omnibus Christus" (Cristo em todos) era o seu lema e ele soube levar Cristo a todos através de ações concretas. Ele realizava com suas próprias mãos a justiça social, pedindo aos ricos para distribuir aos pobres. 

Durante anos, fui diretora da Creche que levava o nome de sua mãe, Dona Guilhermina Cunha Coelho. De vez em quando ele aparecia por lá (sem avisar) e vinha carregado, com vários pacotes de balas. Atendíamos 250 crianças e nas suas visitas, trazíamos todas as crianças para o pátio. Elas se sentavam no chão e ele fazia questão de distribuir as balas, uma a uma. Depois contava histórias sobre Jesus, ensinava as crianças a cantarem “Mãezinha do céu” e a rezar a oração do “Santo Anjo”. 

Não saia da creche sem antes parar por uns 15 minutos diante do retrato de sua mãe, colocado na parede central do pátio. Passava a mão em seu rosto e era como se dissesse a ela: estou aqui, cuidando das crianças da sua creche! 

Paulista de nascimento, poucos amaram tanto Maringá quanto ele. Recebeu pelo menos meia duzia de convites para atuar em outras dioceses, mas dizia que só uma ordem do Papa o tiraria daqui. Felizmente essa ordem não veio e ele pode dedicar-se em vida à sua missão de levar as ovelhas ao Pai na cidade que ajudou a construir. 

Deus agora o levou, neste 05 de agosto aos 97 anos. Será enterrado na cripta destinada ao primeiro arcebispo, no subsolo da catedral em forma de “nave sputnik” que idealizou. Deixa Dom Jaime a vida material para entrar na história. A história de um dos mais importantes homens que Maringá já teve! 

Tenha certeza, Dom Jaime: Aqui o senhor levou Cristo a todos!!! Vá em paz!

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