PATRÍCIA é jornalista e assina POETA. Eu sou ANGELA, Pedagoga e assino RAMALHO (o que não deixa de ter também a sua poesia). Fico pensando como seria divino assinar "Poeta" depois do nome. Até fiz uma poesia sobre isso! Esse blog é um espaço onde brinco com as palavras, fazendo aquilo que gosto. E o que eu gosto mesmo é de fazer poesias! Portanto, embora não seja PATRÍCIA, eu sou POETA!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

SERIA EU UMA DONA?



SERIA EU UMA DONA???

Dona é feminino de dono. Mas eu não sou dona de coisa nenhuma. Ou sou? Chamamos de dona quem é proprietária de alguma coisa. Então não sou, pois não tenho nada nesse mundo de meu Deus. Acostumei-me a ser senhora e esse termo eu aceito numa boa. Antigamente senhora era tratamento nobre, digno de uma dama. Há quem diga que dona é o mesmo que esposa. Danou-se! Aí mesmo é que não sou dona de nada.

E não é que hoje de manhã fui caminhar pela orla e cruzei com um senhor que fazia o percurso contrário ao meu. O mesmo me olhou e pareceu achar graça da forma como eu brincava com a espuma do mar. Eu pisoteava uma a uma as bolhinhas de ar que se formavam na areia. Chegando ao pé do morro fiz o caminho de volta e o mesmo se deu com aquele senhor. Novamente nos encontramos e ele foi direto: Qual é o seu nome, dona?

Eu não esperava por aquilo. Dona??? Num impulso disse “Maria”. Ele respondeu com um “bom dia, Maria” o qual eu retribuí e continuei caminhando, rindo comigo mesma, pois naquele momento sentia o impacto do passar dos anos, ao ser chamada pela primeira vez de “Dona”. O tal senhor parou e ficou me olhando, sem entender o porque do meu riso. Eu andei um bom tempo remoendo o dona, inconformada com o tratamento recebido (ainda mais vindo de um estranho).

Até agora estou com esse “dona” na cabeça. Seria eu uma “dona”? Tenho cara de “dona”? E porque aquele senhor queria saber o nome da “dona?” Sabe-se lá o que passou na cabeça dessa pessoa para me interpelar assim tão sem cerimônia? Estaria ele querendo ser o “dono” da dona? Ah, sem chance! Depois desse “dona” nem que fosse o Brad Pitt. Estaria fadado à rejeição.

Se por acaso ele quisesse me “fazer a corte” (Mãe Santíssima, isso é mais antigo que o “dona”), poderia ter perguntado meu nome de uma outra forma. Poderia ter dito: "Qual a sua graça, minha senhora?" Ô coisa mais sem graça isso! 

Sendo ou não uma “dona”, os anos passam. Mas o importante é que ainda hoje continuo “dona” de mim mesma, seja em que situação for.

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