PATRÍCIA é jornalista e assina POETA. Eu sou ANGELA, Pedagoga e assino RAMALHO (o que não deixa de ter também a sua poesia). Fico pensando como seria divino assinar "Poeta" depois do nome. Até fiz uma poesia sobre isso! Esse blog é um espaço onde brinco com as palavras, fazendo aquilo que gosto. E o que eu gosto mesmo é de fazer poesias! Portanto, embora não seja PATRÍCIA, eu sou POETA!

sábado, 15 de setembro de 2012

QUE MARCA CONTEMPORÂNEA É ESSA?



Noll, Jary Mércio e Pellanda



QUE MARCA CONTEMPORÂNEA É ESSA?
Angela Ramalho

Estive no SESC para assistir a mesa redonda entre João Gilberto Noll e Luiz Henrique Pellanda, mediada por Jary Mércio, editor de O Diário. O tema da mesa era a marca contemporânea. Se existe uma marca contemporânea na literatura brasileira hoje, a mesa não concluiu, mas o que vi e ouvi me deixaram marcas profundas (não tão contemporâneas assim).

O Noll bem que tentou, mas eu não deixei que ele desse um noll na minha cabeça. Desculpem o trocadilho, mas o homem é maluco! E escreve pra doido ler. Eu que me considero em pleno gozo das minhas faculdades mentais, não estou para esse tipo de leitura. Podem me crucificar, podem me chamar de insana, podem me atirar pedra na rua. Continuarei pensando assim.

Vejam só: ele relatou que fazia tratamento psiquiátrico e que descarregou todas as suas neuras na escrita e depois, milagrosamente sarou. Sarou? Quem garante? Não observei normalidade em sua fala. Se for obrigada a dizer que gostei só para fazer o tipo intelectual/letrada, prefiro passar atestado de burrice. Ele pode ter ganho uma coleção de Jabutis, mas eu não lhe daria uma reles tartaruguinha, dessas que se vendem por ninharia nos pet shops.

Ouvir (e ver) Noll me causou certo desconforto, estranheza mesmo. Algo doentio. Não encontrei coerência muito menos leveza em seu discurso e não conseguiria rir do que considero esdrúxulo. Seus romances, de forma asquerosa e/ou enfadonha, apresentam relações sexuais homoeróticas, com narrativas grotescas e sem qualquer possibilidade de esperança. Nada a ver com relações saudáveis, nas quais aprendemos, nos realizamos e nos tornamos melhores ou seja: relações civilizadas (independente se homo ou não).

Opinou que a literatura deve “levantar o tapete onde se coloca embaixo todos os detritos” revelando que a transgressão no espaço literário é necessária. Definiu sua escrita como convulsiva

Eu diria que convulsiva e maléfica, pois sabe-se que o processo convulsivo se caracteriza de forma agitada, violenta e desordenada, provocando grande perturbação no sujeito que o contrai. E uma escrita convulsiva contamina quem a digere como um modismo, um fenômeno da pós-modernidade e por isso mesmo, supostamente confiável. 

O papel social do escritor é latente e eu tenho que escrever pensando na mensagem que vou passar, até que ponto ela vai ser benéfica ou não a quem ler. Essa consciência presume-se que todo escritor emocionalmente equilibrado deva ter.

Se para falar a língua da modernidade eu tiver que escrever sobre a podridão latente na sociedade, sobre os vermes e parasitas fétidos dos quais certos escritores se ocupam a encher laudas e mais laudas sobre os escrotos humanos, eu fico como bem disse Marina Colasanti e Ignácio de Loyola Brandão: assumo que sou tradicional, pois os modismos vêm e vão e Marina deixou bem claro isso: o escritor tem que ter foco. Tem que saber o que escrever e onde se situar. 

Bem, creio que de Noll falei o que senti e como sempre sou verdadeira. Jamais diria que gostei se assim não fosse. 

Quanto ao curitibano Luís Henrique Pellanda, o achei mais leve, mais objetivo, mais saudável, do ponto de vista emocional e literário. Moço que já cantou muito (e a musica é o antídoto para toda e qualquer neura da vida), por isso mesmo sua presença na mesa do SESC me passou uma energia boa.  

Diferente do que pude observar em Noll, Pellanda também retrata em seus textos a realidade da vida, mas respeita certo limite na questão da proximidade entre escritor/leitor, cuidando para que esta não chegue a ponto de tornar-se uma intimidade perigosa. Bom senso e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Senti que entre o grotesco e a normalidade, o grotesco (infelizmente) chama mais atenção e portanto, em certos momentos, Noll roubou a cena enquanto Pellanda permanecia em plano secundário. Jary como mediador deve ter percebido isso, mas a meu ver, foi diplomático e deixou o bonde andar.

O que vou dizer do Jary? - vocês devem estar se perguntando. E deixo aqui bem claro que não tenho nada pessoal contra esse moço. Tivemos algumas falhas de comunicação que geraram mal entendidos e foi só. Continuo pensando que O Diário não faz jornalismo cultural como deveria fazer e não sou só eu que penso assim. Mas se ele está lá há tantos anos e serve aos interesses de quem o paga, quem sou eu para dizer o que quer que seja de sua postura enquanto editor?

Bem, ele foi um bom mediador, na medida em que movimentou a mesa e provocou intervenções, sempre que necessário. Conhecia da produção literária dos entrevistados e pode estabelecer um diálogo de forma amistosa, digamos assim. 

Na verdade, não é tarefa fácil a um mediador estabelecer o diálogo entre dois escritores que, ao mesmo tempo em que apresentam características literárias semelhantes, por outro lado são perfis que pontuam de forma clara, certos antagonismos. No entanto, isso não se tornou empecilho para a comunicação e até pode ter passado despercebido a um olhar menos atento. Ponto para o Jary.





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