Ao contrário do ano passado, a Semana Literária do SESC focou no público adulto, incluiu novos escritores na programação e acertou em cheio: praticamente cinco dias perfeitos. No entanto, algumas coisas ainda estavam desencontradas. A palestra "Marketing Emocional e a Relação de Consumo", ministrada pela escritora Ivana Martins, soava como uma nota errada num recital de piano: literatura para escanteio. No lançamento do jornalista Wilame Prado, o público deu o ar da graça: mais de cem pessoas e sessenta livros vendidos. Uma marca excelente para um autor estreante. Para o próximo ano, o SESC tem a missão de fazer uma semana ainda mais intensa. Entre os autores brasileiros, bem que poderiam convocar o imortal João Ubaldo Ribeiro, autor de "Sargento Getúlio" e "Viva o Povo Brasileiro". Seria tão antológico como foi receber o amazonense Milton Hatoum. Chama que ele vem. Outro nome que vem fácil, e acrescentaria ao debate literário, é o quadrinista Lourenço Mutarelli, responsável pelo "O Cheiro do Ralo". Sérgio Sant'Anna, Marcelo Mirisola, Glauco Mattoso, Alberto Martins, José Eduardo Agualusa e Noll também podem compor uma lista competente.
PEÇO LICENÇA...
Alexandre Gaioto publicou no dia 20 deste no "O Diário" um artigo (que transcrevo na íntegra) onde analisa os altos e baixos da Semana Literária do SESC. Peço licença para complementar e acrescentar algumas coisinhas: A Semana do SESC foi muito rica e diversificada e aproveito para parabenizar a todos os envolvidos. A única crítica que faço é em relação a "Mostra de Escritores Maringaenses" na Tenda de Exposições, que expôs apenas livros de escritores ligados à Academia Maringaense de Letras. A denominação correta dessa Mostra deveria ter sido, no meu entender, "Mostra de Escritores da Academia Maringaense de Letras". Digo isso porque existe movimento literário em Maringá fora da Academia e a própria Semana Literária do SESC mostrou isso. Vi lá muita gente boa que escreve em Maringá e não é acadêmico e senti falta de escritores acadêmicos prestigiando o evento (nem na tenda em que eram homenageados vi um ser vivente, além da encarregada em mostrar o espaço, que era funcionária do SESC). Na minha opinião, a Academia em Maringá tem se tornado uma espécie de "gueto" onde uma minoria de intelectuais participa e pouco se sabe sobre suas produções literárias e nesse ponto sou favorável a esse tipo de divulgação. Mas não considero democrático os escritores independentes ficarem à margem desse processo.
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